Podemos também no presente utilizar os indicadores que usamos para minimizar os riscos de um futuro baseado no caos e estruturados em uma árvore de decisão.
Esse artigo surgiu baseado em uma provocação ocorrida meses atrás, ao estudarmos análise qualitativa.
Estávamos com problemas altamente complexos, que envolviam dezenas de restrições e sempre com a missão de simular o maior retorno possível sobre um determinado mix de produtos considerando uma economia pós keynesiana com eventos sazonais e cíclicos.
Eis que surge o dilema de prever um cenário econômico que contemplasse uma visão otimista e uma pessimista de uma determinada indústria. E em meio ao caos surgiu a seguinte frase:
“É mais fácil fazer um plano de negócios (1) e prever o que vai acontecer daqui há cinco anos do que saber o que acontece hoje na minha fábrica. Se o presidente da empresa me pedisse a previsão de vendas para este mês, ela erraria mais do que se fosse fosse fazer uma previsão para daqui cinco anos!”.
Diante dessa provocação comecei a refletir porque isso acontece na maioria das organizações.
Por que é tão dificil saber o que se passa no presente? Prever as vendas do dia é mais difícil do que as vendas do mês inteiro. Mais fácil planejar a venda do ano do que a do mês.
Charles Darwin, em a “A origem das espécies” (2), um dos livros mais importantes da história da ciência, apresenta a teoria da evolução, a base da biologia moderna. Nesta proposta, Darwin propõe que as espécies se originam por processos inteiramente naturais e contradiz a crença religiosa da criação divina, tal como é apresentada na Bíblia, no livro de Génesis.
Quem sobrevive não é o mais forte ou o mais inteligente e sim quem melhor se adapta as mudanças.
Charles Darwin
Freud (3), atráves da psicanálise, baseada no inconsciente (4), inicialmente interpreta os sonhos de seus pacientes e posteriormente os seus próprios. Constrói uma ponte teórica entre o ser humano e a civilização e identifica uma forte relação causal entre o sofrimento neurótico do ser humano e o próprio processo civilizatório em que está imerso.
O que nos remete à teoria proposta por Edward Lorenz (5), posteriormente base para a teoria do caos (6). Seguindo a mesma linha de raciocínio, temos Galileo, Newton e Laplace.
Galileo introduziu algumas das bases da metodologia científica presas à simplicidade. Isaac Newton, com a Mecânica Determinística Clássica e suas equações diferenciais lineares e não-lineares. Laplace com a teoria das probabilidades e posteriormente, em 1880, Henri Poincaré (7) com os sistemas dinâmicos não lineares explica mais claramente o que vem a ser o caos, objeto de nosso exemplo.
Imagine uma situação hipotética em um cenário onde prevaleça o caos e em meio esse caos a vida humana esteja em risco.
Se adotarmos a linha de pensamento de Freud e Darwin, onde a teoria da evolução possa acontecer baseado não somente no indivíduo mais forte, mas também no que tenha maior poder de adaptação e consiga abstrair de seu consciente o verdadeiro eu.
Em outras palavras, sobreviverá por mais tempo o indíviduo que conseguir se adaptar aos meios físicos.
Uma outra visão poderia ser justamente o contrário – sobreviverá por mais tempo quem possuir o maior controle da mente.
Digamos nesse caso o indivíduo que ainda conseguir sonhar com o futuro. Um pintor que não tenha desenhado a sua obra prima, um músico que não ainda não teve condições de compor sua sinfonia, um amor que ainda não tenha sido encontrado… Em outras palavras uma pessoa que ainda não conseguiu cumprir toda sua missão, mesmo que esta seja em função de viver um dia a mais.
Seria o caso de pessoas dentro de um campo de concentração… mesmo sabendo que iriam morrer em breve, poderiam falecer muito antes do prazo final, simplesmente por estarem muito mais abatidas e sem uma perspectiva de sonhos futuros.
Foi esta ideia que desencadeou uma provocação no modo de analisar os fatos. Principalmente na fase inicial de planejamento, sendo ele de curto ou longo prazo, na verdade as ferramentas qualitativas (8) nos permeiam um norte estratégico. Não necessariamente que seja a melhor opção, mas um caminho que pode ser seguido, baseado em uma taxa de risco (9) esperada, sem muitas surpresas.
Tal solução nos remete a pensar em estratégias baseadas simplesmente em previsões permeadas por alguns indicadores. Se podemos usar indicadores para minimizar os riscos de um futuro baseado no caos e estruturados em uma árvore de decisão (10), podemos também aplicar tais conceitos ao presente.
Cada item que puder ser mensurado e posteriormente ser colocado de modo linear (11), então pode ser comparado em uma regressão linear (12) e consequentemente otimizado. O único problema dessa minha teoria é que devido a própria ação ocorrer em tempo real, exige-se um processamento constante em função do tempo.
Em tempos de cloud computing (13) fica tudo muito mais fácil para área de tecnologia, sendo processamento não mais um fator de gargalo e sim um objeto estratégico ao qual permite cada vez mais otimizar processos e reduzir custos inerentes ao risco.
Um exemplo é a constante otimização do processo de fabricação, antes baseado apenas nos moldes de Taylor (14) e hoje com um viés muito mais especialista com menos falhas, maior produção e menor custo. É a antiga restrição tripla (15) cada vez mais sendo quebrada por paradigmas que contém inovações voltadas para a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e novos produtos que permitem fazer mais com menos. [Webinsider]
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1. Plano de negócios (do inglês Business Plan), também chamado “plano empresarial”, é um documento que especifica, em linguagem escrita, um negócio que se quer iniciar ou que já está iniciado.
2. Nesta obra Darwin basicamente começa falando da importância de sua viagem ao redor do mundo a bordo do navio HMS Beagle, principalmente suas observações sobre a distribuição das espécies na América do Sul e as relações geoléogicas dos habitantes atuais e passados desse continente. Darwin também menciona a importante contribuição de Alfred Russel Wallace, co- descobridor do mecanismo da seleção natural, e a apresentação conjunta desse mecanismo na Sociedade Lineana de Londres por Charles Lyell e Joseph D. Hooker em 1858. Darwin critica o livro Vestiges of the Natural History of Creation, um best-seller publicado anonimamente em 1844, que falava da transformação das espécies, mas que não apresentava uma explicação para tais mudanças.
3. Sigmund Freud (nascido Sigismund Schlomo Freud; 6 de maio de 1856 — 23 de setembro de 1939) foi um médico neurologista austríaco e judeu, fundador da psicanálise. Freud nasceu em Freiberg, Morávia, na época pertencente ao Império Austríaco; atualmente a região é denomimada Příbor, na República Tcheca.
4. Freud procurou uma explicação à forma de operar do inconsciente, propondo uma estrutura particular. No primeiro tópico recorre à imagem do iceberg em que o consciente corresponde à parte visível, e o inconsciente corresponde à parte não visível, ou seja, a parte submersa do iceberg. De sua teoria ele estava preocupado em estudar o que levava à formação dos sintomas psicossomáticos (principalmente a histeria, por isso apenas os conceitos de inconsciente, pré-consciente e consciente eram suficientes). Quando sua preocupação se virou para a forma como se dava o processo da repressão, passou a adotar os conceitos de id, ego e superego.
5. Edward Norton Lorenz (West Haven, 23 de Maio de 1917 — Cambridge, 16 de abril de 2008) foi um meteorologista, matemático e filósofo estadunidense.
6. Teoria do caos, para a física e a matemática, é a teoria que explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos.
7. Jules Henri Poincaré (Nancy, 29 de abril de 1854 — Paris, 17 de julho de 1912) foi um matemático, físico e filósofo da ciência francês.
8. Pesquisa qualitativa é um método usado em diferentes disciplinas acadêmicas, tradicionalmente nas ciências sociais, mas também em pesquisas de mercado e outros contextos. Pesquisadores qualitativos procuram obter uma compreensão mais profunda do comportamento humano e das razões que governam tal comportamento.
9. Cálculo de risco pode ser definido como a tentativa de se medir o grau de incerteza na obtenção do retorno esperado em uma determinada aplicação financeira ou investimento realizado.
10. Uma árvore de decisão é uma representação de uma tabela de decisão sob a forma de uma árvore. Tem a mesma utilidade da tabela de decisão. Trata-se de uma maneira alternativa de expressar as mesmas regras que são obtidas quando se constrói a tabela.
11. 12. Uma equação linear é uma equação envolvendo apenas somas ou produtos de constantes e variáveis do primeiro grau. Em estatística ou Econometria, regressão linear é um método para se estimar a condicional (valor esperado) de uma variável y, dados os valores de algumas outras variáveis x.
13. O conceito de computação em nuvem (em inglês, cloud computing) refere-se à utilização da memória e das capacidades de armazenamento e cálculo decomputadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet, seguindo o princípio
da computação em grade.
14. Frederick Winslow Taylor (Filadélfia, 20 de Março de 1856 — Filadélfia, 21 de Março de 1915) mais conhecido por F. W. Taylor, foi um engenheiro mecânico estadunidense, inicialmente técnico em mecânica e operário, formou-se engenheiro mecânico estudando à noite. É considerado o “Pai da Administração Científica” por propor a utilização de métodos científicos cartesianos na administração de empresas. Seu foco era a eficiência e eficácia operacional na administração industrial.
15. A restrição tripla envolve tradeoffs entre escopo, tempo e custo para um projeto.