sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Blu-ray players: o que a nova geração oferece

Acabo de fazer uma pesquisa sobre Blu-ray players onde observei as novidades que estão chegando ao mercado e os principais recursos oferecidos por esses aparelhos. Entre os players de discos 3D, o Samsung BD-C6900 é o único já disponível para venda, enquanto que os modelos LG BX580, Panasonic BDT300 e Sony DVP-S470 começarão a ser vendidos nas próximas semanas. Com exceção do popular BD350 da LG, os demais modelos já são Perfil 2.0 e, portanto, contam com porta LAN (RJ-45) para uso da função BD-Live e atualização de firmware.

A nova geração de players (não inclui o Tectoy DBR-750) é Wi-Fi Ready e pode ser conectado ao roteador, por meio de adaptador USB/Wi-Fi (Dongle). Os sofisticados LG e Panasonic BDT300 já trazem embarcado Wi-Fi “N”, dispensando o uso de qualquer acessório para reproduzir arquivos de foto, áudio e vídeo contidos em PC, via DLNA. Os novos players da LG, Panasonic (BDT300, DMP-BD65 e BD45), Samsung (BD-C6900, BD-C6500 e C5500) e Sony (BDP-S470) propiciam acesso direto ao YouTube, Picasa e outros sites.

Quanto aos decoders de áudio DTS-HD (MA/HR) e Dolby (TrueHD/Digital Plus) e saídas analógicas 5.1 (ou 7.1), a tendência é de que eles se restrinjam a aparelhos de marcas high-end, como Denon, Marantz, NAD e Sherwood. Neste caso, o consumidor terá de trocar seu receiver por um modelo de última geração se quiser desfrutar de som de melhor qualidade (leia mais). Mesmo assim, a Samsung resiste com os modelos tops BD-C6900 e C6500, oferecendo saídas analógicas 7.1 canais.

Algumas empresas prometem ainda maior agilidade para iniciar discos BD em seus aparelhos. A Panasonic, por exemplo, diz que sua nova linha requer um tempo de 0,5 segundo para inicialização de filmes. Será? Vamos pedir para teste.

Governo japonês exige que Apple divulgue reparo de iPods

O Ministério do Comércio do Japão está exigindo que a unidade japonesa da Apple informe em seu site que usuários preocupados com a possibilidade de seus iPods Nano pegarem fogo poderão receber uma bateria nova para o aparelho.

O Ministério ordenou que a Apple publique um comunicado de "fácil entendimento" explicando como os usuários dos aparelhos -- responsável por quatro casos de queimaduras leves no Japão -- podem receber baterias reservas e informações sobre ele, afirmou um porta-voz do Ministério, nesta sexta-feira (6).

O braço japonês da Apple, maior empresa mundial de tecnologia em valor de mercado, foi alvo de críticas na semana passada quando o governo cobrou explicações sobre 27 incidentes de superaquecimento em alguns modelos da primeira geração do player iPod Nano.

Na semana passada, a empresa afirmou em comunicado que o problema tem origem em apenas um fornecedor de baterias e que a segurança é alta prioridade para a Apple.

Malware Zeus usou certificado digital para roubar dados de PC

Código provou ser um aplicativo de difícil identificação para as empresas de segurança, sendo que apenas 10% de suas variações ativas são detectadas.

Pesquisadores da Trend Micro, empresa de produtos e serviços de segurança, descobriram que o conhecido malware Zeus utilizou um certificado digital de uma companhia de produtos também de segurança, em uma tentativa de que sua ação no computador fosse considerada legítima.

O malware analisado tinha um certificado digital pertencente a um produto da empresa de segurança Kaspersky, projetado para remover o próprio Zeus. No entanto, o documento - verificado durante a instalação do software - ultrapassou o prazo de validade, o que facilitou sua identificação.

Utilizado para roubar dados de computadores infectados, o malware provou ser um aplicativo difícil para as empresas de segurança detectarem.

A prática de roubar certificados digitais é uma técnica usada frequentemente pelos desenvolvedores deste tipo de ameaça. Recentemente, foi descoberto que duas versões do malware Stuxnet usaram certificados digitais de outras fabricantes. Depois que ele foi identificado, os documentos foram revogados.

"Certificados, infelizmente, podem ser copiados por qualquer cybercriminoso, em qualquer empresa. As fabricantes mencionadas neste caso não poderiam ter evitado o incidente. No futuro, continuaremos a ver mais casos destes", informou a Trend Micro, que declarou ter informado a Kaspersky sobre a emissão do certificado.

De acordo com especialistas da empresa de segurança Trusteer, os softwares de segurança muitas vezes são capazes de detectar apenas 10% das variações ativas do malware Zeus.

Blindagem do BlackBerry possui falhas, dizem especialistas

A resistência da Research in Motion em fornecer a governos acesso à rede do BlackBerry desconsidera um ponto importante: as autoridades provavelmente poderiam ter acesso clandestino a esses dados sem ajuda, se realmente quisessem, segundo especialistas em segurança.

De fato, um grande ataque contra usuários do BlackBerry por uma operadora de telecomunicações dos Emirados Árabes Unidos, um ano atrás, empregou exatamente essa tática, de acordo com a RIM. Especialistas dizem que outros programas semelhantes devem estar sendo preparados para distribuição.

Índia, Líbano, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos anunciaram que precisam da cooperação da RIM para que possam decodificar as mensagens cifradas com o uso da tecnologia exclusiva do BlackBerry. Os países ameaçaram restringir as operações da RIM caso a companhia não atenda às exigências, que afirmam derivar de preocupações de segurança nacional.

Mas, caso a RIM decida não ceder, os próprios governos poderiam optar por invadir a rede do BlackBerry.

"Eu poderia criar uma centena de maneiras de ganhar acesso," disse Bruce Schneier, especialista em segurança e vice-presidente de segurança da BT.

Representantes da RIM não retornaram um pedido de comentários.

Os especialistas afirmam que, provavelmente, seriam atacados os pontos mais vulneráveis da rede: os celulares e o servidor BlackBerry. Ambos equipamentos se posicionam nos dois extremos da rede, e ofereceriam a hackers acesso aos dados cifrados.

O ataque do ano passado nos Emirados Árabes Unidos é um bom exemplo de como um hacker poderia operar. Na ocasião, foi utilizado um spyware criado pela SS8, empresa de segurança norte-americana de capital fechado, segundo a RIM.

A Emirates Telecommunications, maior operadora de telecomunicações dos Emirados, enviou o programa aos usuários do BlackBerry, disfarçado como atualização de software, informando que isso melhoraria o desempenho do equipamento, mas a RIM alega que o objetivo era interceptar suas comunicações.

A Emirates Telecommunications não quis comentar o assunto.

Turista poderá trazer leitor de livro digital sem pagar impostos a partir de outubro

O turista brasileiro que quiser trazer um leitor eletrônico de livros digitais do exterior, sem pagar imposto e sem precisar recorrer à Justiça, poderá fazê-lo a partir de 1º de outubro. Esta semana, o Diário Oficial da União publicou a Instrução Normativa 1.059 para detalhar a Portaria 440 que mudou as regras sobre os procedimentos de controle aduaneiro e o tratamento tributário aplicável aos bens de viajante. Pela decisão, bens considerados de uso pessoal estão isentos de tributos, exceto computadores pessoais e filmadoras.

Consultada, a Receita Federal informou que os leitores eletrônicos poderão ser considerados de uso pessoal desde que não agreguem componentes que deixem o dispositivo com a mesma configuração de um computador.

As discussões sobre os leitores digitais, por enquanto, são polêmicas. Embora os livros tenham imunidade tributária, os leitores digitais não têm. Recentemente, decisão da Justiça Federal em São Paulo concedeu mandado de segurança, com pedido de liminar, para que a Receita Federal não exija o pagamento de quaisquer tributos aduaneiros por ocasião do desembaraço do produto denominado Kindle, produzido por uma empresa dos Estados Unidos alegando imunidade tributária.

O argumento é que o “produto denominado comercialmente de Kindle possui a função exclusiva de leitor de jornais, revistas e periódicos” e, sendo assim, o produto estaria abrangido pela imunidade tributária estabelecida no Artigo 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal.

Por enquanto, a decisão sobre a imunidade tributária do produto só atende a um advogado e professor da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Para que outras pessoas consigam o mesmo benefício na Justiça, é preciso entrar com novos pedidos de liminar, o que no final pode sair mais caro do que pagar os impostos para o leitor eletrônico. A Receita Federal ainda pode recorrer.

E-reader: como funciona

Os leitores de livros eletrônicos transferem pela internet os textos e podem armazenar, em alguns modelos, até 3,5 mil títulos. Além dos aparelhos estrangeiros, dois fabricantes brasileiros também produzem leitores eletrônicos de texto e pretendem concorrer com os importados. Sem impostos, os estrangeiros têm modelos mais em conta que custam aproximadamente US$ 137 (R$ 243). Já um modelo nacional tem sido anunciado a R$ 799.

No mês passado, o maior site de vendas de livros dos EUA anunciou que as vendas de títulos para o tipo de e-reader que comercializa já são, pela primeira vez, maiores que a venda de livros com capa dura. A notícia provocou debates na internet sobre o fim ou não dos livros de papel. Para a Receita, o que importa são as questões tributárias.

“Para efeitos de bagagem, não interessa se o Kindle vai ser ou não livro. A questão do livro é porque ele tem imunidade tributária e eu não posso tributar. Se, no futuro, a Justiça determinar que o Kindle é um livro, a Receita não tributará”, disse o subsecretário de Aduana e Relações Internacionais, Fausto Vieira Coutinho.

“Se ele for somente um leitor de livros e substituir o seu livro de cabeceira, é considerado bem de uso pessoal e vai entrar, inclusive fora da cota. É diferente do iPad que acessa à internet”, disse.

O iPad é considerado um misto de computador portátil [notebook] e telefone celular inteligente [smartphone].

Governo deve emitir 100 mil identidades digitais ainda em 2010

Novo documento incluirá informações pessoais e as impressões digitais de cada brasileiro. Alguns estados ainda resistem ao projeto

O novo documento de identificação civil digital levará nove anos para atingir os mais de 190 milhões brasileiros. Segundo informou ontem (5/8) o diretor do Instituto Nacional de Identificação (INI), da Polícia Federal, Marcos Elias Cláudio de Araújo, a proposta é fazer um projeto piloto para que até o final deste ano 100 mil documentos sejam emitidos.

Com a nova identidade civil, as unidades da federação passarão a acessar um banco de dados nacional, no qual serão incluídas as informações essenciais e as impressões digitais de cada indivíduo. No primeiro momento, o chamado registro de identificação civil não substituirá o documento atual, o registro geral continuará em vigor. O novo documento terá uma numeração diferenciada que, ao longo do tempo, substituirá a antiga.

O documento funcionará nos moldes de um cartão de crédito. O cartão será inserido dentro de uma máquina e o cidadão colocará sua impressão digital. Isso impedirá que, em caso de furto ou perda, o documento possa ser utilizado por outra pessoa. Esse novo tipo de identificação substituirá outros documentos e terá funções que ainda serão definidas.

De acordo com o diretor do INI, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer que, nas próximas eleições, o cartão já seja utilizado. “Isto possibilitará fazer uma eleição desvinculada da urna, ou seja, o eleitor poderá votar em qualquer parte do país”, explicou Araújo.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, deu posse hoje ao Comitê Gestor do Sistema Nacional de Registro de Identificação Civil, formado por membros dos ministérios e representantes dos estados. Barreto destacou o avanço que representa a criação do novo documento para o país. “Cada um de nós portamos cédulas de identidade igual às feitas no início do século passado. Esse é um documento mais moderno e mais seguro. O documento de identidade brasileiro é um dos mais atrasados dentre os países da América do Sul”, afirmou.

A participação dos estados e do Distrito Federal se dará por adesão. Até o momento, São Paulo e Minas Gerais apresentaram-se contrários à mudança. Segundo o ministro, houve incompreensão do papel da União na expedição do documento. “Temos certeza que todos os estados se integrarão neste projeto. Alguns estados achavam que o governo federal centralizaria a expedição de documentos, mas não é verdade. Os estados detêm a prerrogativa de expedir o documento de identidade e continuarão com ela”, destacou.

Arábia Saudita bloqueia funções do BlackBerry

O governo da Arábia Saudita cumpriu, nesta sexta-feira (6), a ameaça de veto ao sistema de mensagens do BlackBerry.

Segundo o jornal "Bangkok Post", os sauditas afirmaram que não conseguiam usar o serviço por volta do meio-dia (6h, em Brasília).

Divulgação
Crédito: Divulgação Legenda: O BlackBerry Torch 9800, com lançamento anunciado para 12 de agosto pela Research in Motion, fabricante do smartphone
O novo BlackBerry Torch 9800, que será lançado neste mês; smartphones da RIM enfrentam bloqueio na Arábia Saudita

Segundo a Reuters, entretanto, a RIM (Reseach In Motion), fabricante do smartphone, e o governo têm feito progresso em suas negociações sobre a rede de segurança do aparelho.

"A RIM demonstrou, na quinta, um grau de flexibilidade que não existia nos últimos três meses. Está havendo progresso", afirmou uma fonte à Reuters.

O governo canadense também afirmou que negociará com Arábia Saudita e Emirados Árabes --que também já anunciaram intenção de veto ao aparelho-- para definir a questão, que pode prejudicar o crescimento da RIM, maior exportadora do país na área de tecnologia.

A empresa enfrenta pressão para abrir sua rede de segurança para os governos de alguns países. A lista dos países que fazem a exigência que, segundo eles, é em nome da segurança nacional, vem aumentando nos últimos dias.

Além de Arábia e Emirados, a Índia também está em negociações da companhia, e, segundo agências de notícias, tanto o Líbano quanto a Argélia estão estudando a situação e podem se unir à lista.

A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton afirmou que os EUA também discutirão o assunto com os países que ameaçam o veto.

"Sabemos que há uma questão de segurança, mas também há o direito legítimo do acesso livre à informação. Então, acredito que estaremos focando ambas as questões enquanto progredimos nas discussões", afirmou ela.

As ações da RIM caíram aproximadamente 2% na última quinta-feira (5), e 9% desde que os Emirados Árabes ameaçaram o veto, no último dia 1º.

Via Embratel HDTV chega a 20 Estados do País

Aproveitando o ótimo momento da TV paga no País, a Embratel resolveu ampliar a área de atuação do serviço Via Embratel HDTV para 20 Estados brasileiros. Lançado no início de junho, o serviço estava disponível apenas na Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro.

Agora, começa a ser comercializado em várias cidades das cinco regiões brasileiras. Na lista, estão todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de boa parte da Norte (exceto Acre, Rondônia e Tocantins) e Nordeste (exceto Piauí, Paraíba e Sergipe). Só no Estado de São Paulo, que é um dos mercados mais importantes do País, passa a estar disponível para 171 cidades. Clique aqui para ver a relação completa das cidades atendidas pela Embratel, divididas por Estado.

A operadora está trabalhando com cinco pacotes de alta definição, com mensalidades a partir de R$ 149,90. Na lista de canais HD oferecidos pela Embratel, estão Globosat HD, Multishow HD, Discovery Theater HD, Fox/Nat Geo HD, TNT HD, HBO HD, Max HD, Telecine HD e Telecine Pipoca HD.

"Call of Duty: Black Ops" tem o maior investimento já feito pela Activision

Ninguém entra numa disputa para perder, e a Activision, sabendo do potencial de "Call of Duty: Black Ops", está investindo vultosas quantias para divulgar o próximo jogo da série de guerra, que está em desenvolvimento para PC, Xbox 360, PlayStation 3, Wii e Nintendo DS e tem lançamento marcado para 9 de novembro.

Em conferência com investidores, Bobby Kotick, executivo-chefe da Activision, disse que o lançamento de "Call of Duty: Black Ops" conta com o maior investimento financeiro feito pela companhia em 31 anos de história, sem, no entanto, revelar números.

"Este é, sem dúvidas, o maior investimento que já fizemos para o lançamento de um título. A oportunidade de mercado é a maior que já tivemos e a base de consoles instalados também. O jogo tem grande apelo e possui a mais completa quantidade de funções que serão únicas para o público-alvo", explicou Kotick.

O executivo também ressaltou que "Call of Duty: Black Ops" não competirá apenas com jogos de outras produtoras, mas também com produtos voltados para outras mídias.

"Há muita competição, não apenas entre games, mas entre todas as outras coisas que você pode fazer com o seu tempo livre, e isso é algo que nós acreditamos ter potencial para superar e também tentar atingir um número de pessoas muito maior do que antes", adicionou o diretor executivo da Activision.

Conflito no Vietnã

"Call of Duty: Black Ops" narra as missões secretas que aconteceram durante a Guerra Fria, período de tensão entre Estados Unidos e a então União Soviética depois da Segunda Guerra.

O game conta com a colaboração de dois especialistas: major John Plaster, veterano do Grupo de Estudos e Observações (SOG na sigla em inglês), uma unidade de operações secretas liderada pela CIA durante a Guerra do Vietnã, e Sonny Puzikas, um membro das forças especiais da antiga União Soviética.

Pesquisador trabalha para aprimorar tecnologias de reconhecimento de voz

A Universidade de Rochester realiza estudos para garantir que máquinas, em especial dos call centers, conversem como os humanos de forma mais natural


Para James Allen, responsável pela ciência da computação da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, os sistemas de reconhecimento da voz ainda são considerados frustrantes, por parte dos usuários. Segundo ele, ainda falta uma compreensão adequada da linguagem, por parte das máquinas, e capacidade de interação.

Com base nessa percepção, Allen está desenvolvendo uma pesquisa acadêmica voltada a permitir que “possamos falar com uma máquina do mesmo modo que falamos a uma pessoa”, detalha o especialista.

A ideia nasceu depois de um levantamento realizado pelo cientista para um trabalho de pós-graduação, no qual ele gravava conversas em um guichê de informações em uma estação de trem. Em uma dessas conversas, um passageiro caminha até o balcão e diz: “oito e cinquenta para Windsor”. O atendente responde: “portão dez, atraso de vinte minutos”. De acordo com Allen, o atendente respondeu exatamente o que o passageiro queria, mas para sistemas computadorizados tal diálogo seria completamente confuso.

Do modo como Allen vê a questão, faltam dois elementos aos sistemas modernos: a capacidade de analisar o que está sendo dito e a capacidade de conversar com a pessoa para aprender mais sobre o que ela quer dizer.

“Diversas soluções de prateleira tendem a ser superficiais. Nós não temos uma tecnologia que nos forneça um significado das sentenças”, disse. Para isso, o cientista informa que suas pesquisas buscam usar ferramentas de processamento analítico e serviços de definição de palavras. “Assim, a máquina entenderá, por exemplo, que uma subsidiária é parte de uma companhia”, ilustra.

Outra adição necessária é a de sistemas de comunicação de duas vias entre usuários e computadores. Quando falam sobre suas necessidades, as pessoas podem fornecer informações sem seguir uma ordem particular. Cabe ao computador juntar os pedaços de informação.

O que acontece hoje

Os sistemas atuais são, na verdade, uma combinação de tecnologias variadas. Uma é o reconhecimento de voz, ou a capacidade de um computador entender ou traduzir com sucesso para texto, o que a pessoa está dizendo.

Outra tecnologia é o processamento de linguagem natural (NLP, na sigla em inglês). Ela tenta ou converter a mensagem falada em um comando que o computador possa executar, ou que possa ser repetido de forma concisa para um operador humano.

Grandes passos já foram dados nos dois campos durante as últimas décadas. Mas na maioria dos casos, as iniciativas causaram mais frustração em seus usuários. “É só eu ligar para o banco para ter problemas e brigar com esses sistemas. Eu respondo o que for preciso para que seja atendido por uma pessoa o mais rapidamente possível”, disse Allen.

Usuários do Twitter cometem barbeiragens via Twitcam; saiba as consequências

Recentemente, um jovem de 16 anos do Rio Grande do Sul trocou carícias sexuais com uma garota de 14 anos durante uma sessão do Twitcam – serviço de webcam ao vivo, utilizado por usuários do Twitter. Um dos espectadores – a transmissão teve mais de 20 mil deles – denunciou o fato para a polícia e ambos foram descobertos. Apesar de o caso ser emblemático, isso só mostra o quanto os internautas estão despreparados para lidar com novas ferramentas de exposição oferecidas no ambiente virtual.

Além da repercussão, há ainda o problema da perpetuação de conteúdo. O material – no caso relatado acima cenas íntimas entre dois jovens -- corre o risco de ser espalhado de forma viral, além de ficar hospedado em sites de vídeos ou de downloads, ganhando ainda mais popularidade e longevidade na internet. Por isso lembre-se, antes de filmar qualquer coisa: aquela camerazinha em cima do seu computador faz transmissões para o mundo inteiro. E isso é algo que as vítimas do YouTube ainda têm a ensinar para os (ainda novos) usuários da Twitcam.

Punidos pela lei, os menores foram condenados a prestar serviços comunitários. Esse tipo de exposição entre os jovens não é algo fora do comum, segundo Leila Salomão, professora do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo). “Sempre houve, só que antes eles utilizavam os diários e cadernos de anotações. Hoje em dia, com a internet, muitos não estão preparados para lidar com o grau de abertura [proporcionado pela rede]”.

O mau uso de serviços de vídeo não é um problema apenas para adolescentes. Jogadores do Santos, em uma sessão de vídeo ao vivo, resolveram criticar a atuação de alguns companheiros de clube e também desrespeitar torcedores. A exposição pegou mal e os atletas tiveram de se retratar, também via Twitcam, dizendo se tratar apenas de uma brincadeira.

“Em ambiente privado um assunto pode ter uma repercussão nula. Já em ambiente público [como a internet] isso pode ganhar outras proporções”, adverte Helen Sardenberg, delegada da DRCI-RJ (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), sobre os cuidados antes de emitir alguma opinião durante transmissão na web.

Ainda nessa linha, Leila Salomão afirma que um dos fenômenos que a internet acaba causando nas
pessoas é a banalização do desrespeito ao outro. Isso, segundo a especialista, é fruto da distância física entre os internautas, que acabam servindo como objetos uns dos outros – seja de prazer, seja de diversão. “É preciso resgatar alguns valores”, finalizou.

Consequências
A exploração de imagens de adolescentes na internet, segundo Leila Salomão, pode causar danos irreparáveis na formação psicológica da pessoa. “Isso pode até levar a atos extremos, como o suicídio. Em casos ‘menos extremos’, esse tipo de ação pode comprometer o emocional, fazendo com que a vítima tenha problemas com autoestima ou até causar depressão.”

Em casos como o dos adolescentes gaúchos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pode ser aplicado. O ECA prevê a reclusão de um a quatro anos e multa para quem adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Ou seja: além dos menores, pessoas que baixaram o vídeo e distribuíram em outros sites podem ser punidas.

O principal conselho, conforme adverte Renato Opice Blum, advogado especialista em Direito Eletrônico, é que, em frente à câmera, o usuário pense nos vídeos online como uma transmissão televisiva. “Tudo aquilo que o internauta falar pode ficar gravado para sempre”, explica. Ainda segundo o advogado, a punição recairá sobre quem produz o material – e não sobre o site responsável pela transmissão ou divulgação.

Já cenas de pornografia ou sexo explícito, produzidas por adultos, não configuram crime a menos que a pessoa responsável pela transmissão tenha enganado o internauta – anunciando antes que iria transmitir uma sessão de piadas, por exemplo. Quem se sentir constrangido ao ver as imagens pode denunciar o abuso às autoridades e buscar reparações na Justiça.

Além disso, é preciso ficar atento também a comentários em vídeo sobre outras pessoas e a empresas, lembra Opice Blum. Os chamados “crimes contra a honra”, que podem acontecer quando o internauta ofende ou põe em dúvida a reputação de terceiros, podem resultar em indenizações pesadas. Também podem ser punidos os usuários que utilizarem a Twitcam para incitar discriminação e preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas; estupro, suicídio e uso de drogas, entre outros.