quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Críticas e pontos positivos do Mixx IAB

Cheguei ao Mixx 2010 do IAB com baixas expectativas sobre o conteúdo do evento – e altas sobre o networking. Aproveitei uma viagem que já faria para os EUA a trabalho para ir à conferência. Escrevi este artigo ontem, durante as apresentações do segundo e último dia de evento (dia 28/9)

Eram centenas, milhares de pessoas apertadinhas em cadeiras lado a lado em um bonito espaço para conferências. Ouvi reclamações de brasileiros e gringos dizendo que “mesmo pessoas que compraram o (caro) ingresso para o evento tem que assistir às palestras em pé ou sentadas no corredor (de fato) pois não há cadeiras livres (de fato).”

Nada grave, mas digno de comentário para um evento que se propõe a receber pessoas que vieram do mundo inteiro e viajaram por muitas horas.

Em cinco edições do Mixx, esta é a minha terceira participação. Por isso acho que posso dizer que a essa altura do campeonato conheço bem o evento.

Como CEO de uma empresa de marketing online brasileira, fi ao evento principalmente para cortejar atuais e possíveis clientes.

Desculpem-me pela franqueza, mas devo dizer que esta posição foi moldada ao longo das minhas participações nesse e em outros eventos.

No começo deste ano, tive a oportunidade de participar do excelente South by Southwest no Texas, e do Google I/O em São Francisco. Um pouco antes disso havia participado do Stream, da WPP, em Atenas, um encontro informal e desprovido de agenda com 200 e poucos pensadores do futuro da mídia digital – acho que tenho milhagem para ter uma régua de qualidade razoável (e, alguns poderão dizer, um pouco exigente).

Presença brasileira
Na palestra de abertura do CEO do IAB EUA, um destaque especial para um número marcante: 187 presentes são brasileiros – se para fazer compras, networking, porque fomos ordenados, ou de fato assistir o evento é uma pergunta que deixo para a imaginação de cada um.

Coloco este pensamento não como crítica, mas para que ele não sombreie o que pretendo dizer a seguir: qualquer que seja o motivo, o Brasil já é uma potência no meio digital e demonstra enorme atenção para o tema.

Algumas palestras são muito boas, outras excessivamente “jabazeiras”, e algumas simplesmente fazem as pessoas abandonarem a sala de conferências.

Para ilustrar: no dia de abertura do Mixx, tivemos um live demo do “Kinetic” da Microsoft (Xbox) no meio de uma palestra. O que isso tem a ver com marketing digital?

Bem… um cliente está lançando um carro usando a nova forma de controle da plataforma Xbox. Todo mundo sai da palestra com vontade de comprar um Kinetic (que será lançado em novembro de 2010), mas quantos saem com mais vontade de investir em marketing online?

Não quero parecer chato, fiz uma observação logo no começo desse texto dizendo que a minha régua é bastante crítica. E também não quero dar a impressão de que tudo é ruim por aqui (pois seria muito errado).

Seth Godin
Na segunda-feira, tivemos uma palestra excelente com o Seth Godin, pensador/guru/líder e um dos principais escritores da atualidade sobre marketing.

Tentando resumir o que entendi ser o principal tema da palestra do Seth (isso é muito difícil): não vale mais a pena tentar “vender”. Os consumidores hoje têm mais poder do que nunca, e quando todos tentam vender, prevalece aquele que de fato entrega valor para o cliente.

Concordo com ele, mas fiquei pensando… não seria esse evento justamente uma antítese dessa colocação?

Estamos aqui tentando “vender” a mídia online – para clientes, parceiros, investidores, para o mercado…Às vezes tenho a sensação de que estamos por aqui para nos dar força para seguir adiante em uma luta um pouco inglória.

Não digo que esta luta seja inglória por não gerar resultados, já que muitas empresas que trabalham com marketing online no mundo batem recorde após recorde em faturamento (a nossa empresa inclusive!).

Acho que seja inglória porque a Internet já esbarra de forma frustrante na inaptidão gerencial de algumas empresas (principalmente as maiores e mais estabelecidas). A não ser que as companhias mudem de forma contundente o seu posicionamento perante o mercado, nada mudará. Não adianta “vender”.

Facebook e Twitter
De volta ao tema do evento, o dia de encerramento do evento começou com uma palestra do David Moore, CEO da 24/7 Real Media e chair do IAB, que foi seguido por uma entrevista do Yossi Vardi (que entre outras coisas foi o criador do ICQ, lembra dele?) feita pelo Charlie Rose.

Tanto Charlie Rose quanto Yossi são excelentes figuras. Já havia visto o Charlie na TV e por aqui no Mixx, enquanto o Yossi tive o prazer de conhecer, almoçar e trocar ideias no tal evento que mencionei em Atenas.

Tinha altas expectativas para esta entrevista e não me decepcionei: Yossi e Charlie Rose deram um show no palco. Falaram de internet, claro, de Facebook, Twitter, futuro, empreendedorismo e ainda sobrou tempo para comentar os conflitos no Oriente Médio. Yossi é Israelense, conhece muito bem o assunto.

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