Recurso que solicita que usuários decifrem o conteúdo de texto em frames para autenticação de login ganha versão com movimento.
A empresa de segurança digital NuCaptcha passa a acomodar publicidade em um sistema de CAPTCHA (rotinas para verificação de identidade e de autenticidade) que utiliza vídeo e torna mais difícil o uso de programas que procuram furar essa proteção.
Do inglês “Completely Automated Public Test to Tell Computers and Humans Apart” ou seja, “sistema totalmente automatizado para diferenciar pessoas de computadores”,o sistema foi desenvolvido para impedir a autenticação por meio de robôs. Normalmente, o CAPTCHA exibe uma caixa com a imagem estática de duas palavras grafadas com caracteres cuja leitura é dificultada por ruídos.
Quando começou a ser usado na internet, era difícil para softwares OCR (responsáveis por interpretar traços e interpretá-los como se fossem caracteres). No entanto, atualmente, esses programas não encontram mais dificuldade em realizar essa operação.
Para impedir que os OCRs pudessem decifrar facilmente o conteúdo de códigos CAPTCHA, foram introduzidos tantos ruídos na composição de caracteres que sua leitura ficou impossível até para pessoas.
“Chegamos ao limite desse sistema de imagens estáticas para finalidades de CAPTCHA”, afirma o fundador e CEO da NuCaptcha, Michael Giasson.
A tecnologia desenvolvida pelas NuCaptcha traz um novo elemento para travar a atividade dos programas decifradores. No lugar da tradicional imagem estática, o conteúdo das caixas é exibido em forma de uma faixa de vídeo dentro do frame. O fato do conteúdo estar em movimento torna os programas de resolução de CAPTCHA estáticos obsoletos.
Outra vantagem é que em forma de vídeo há menor necessidade de ruído no texto, tornando o CAPTCHA algo mais simpático aos olhos de usuários.
"Interpretar conteúdo não estático é uma característica intrínseca aos humanos", relata o professor Greg Mori, da escola de computação na Simon Frasier University, na Colúmbia Britânica, que analisou o sistema. "Ao animar a disposição do conteúdo de sistemas CAPTCHA, a empresa vai de encontro a uma aptidão humana. O NuCaptcha também define arbitrariamente o espaçamento entra as letras, que, por vezes se sobrepõem, o que não dificulta sua leitura para os olhos humanos”, argumenta o professor.
O CTO da empresa, Chistopher Bailey, afirma que já existem tentativas de quebrar o NuCaptcha. Mas lembra que ele oferece um mecanismo de autodefesa.
No sistema nervoso central do NuCaptcha, dados sobre como humanos normalmente interagem com esses recursos são levados em consideração e qualquer sinal de abuso, como a resolução de mil CAPATCHAS em sequência, são alertas para o sistema, que conta com uma taxa de erros de digitação, coisa que programas para quebra de CAPTCHA não fazem. Ao perceber esse tipo de comportamento suspeito, o NuCaptcha altera a velocidade do vídeo, muda o espaçamento entre os caracteres ou troca as fontes, sua cor etc.
Em junho a empresa lançou uma versão gratuita de sua solução para websites prevendo o uso de até 25 mil impressões de CAPTCHA por mês. Atualmente a solução do NuCaptcha está em uso em 3.500 sites, diz Bailey, e uma versão foi disponibilizada como plugin para a plataforma de publicação de blogs WordPress.
Desde segunda-feira, a empresa abriu a plataforma de CAPTCHA em vídeo para propagandas. Em um exemplo dessa integração entre a solução de segurança e a publicidade, o usuário é solicitado a inserir parte de um slogan publicitário para dar continuidade ao processo de registro. Os preços para publicidade nas caixas CAPTCHA varia entre dez e 25 dólares para cada mil impressões.
Outro modelo de negócios é baseada no engajamento. Nessa matriz, o anunciante paga por cada ação que o visitante executar, como digitar um slogan.
Terça-feira, 26/10, devem estrear as primeiras versões do CAPTCHA com patrocínio. Entre os anunciantes encontram-se empresas como a Activision e a Disney.
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