O som quadrafônico tem muitas nuances e qualidades que só a sua redescoberta poderá revelar. O formato está muito mais ao alcance do que se imagina.
No início da década de 1970, a reprodução do som por Lps ou fitas magnéticas passou por um período muito interessante e, por que não dizer, bastante “romântico”. Tentando sair das limitações do som estereofônico de dois canais e dar uma vida nova ao mercado musical, a indústria fonográfica lançou o som quadrafônico! Infelizmente, o formato entrou em colapso comercial, e lá pelo meio desta mesma década, desapareceu.
Durante a sua permanência no mercado, algumas gravadoras fizeram várias mixagens em quadrafônico, lançadas na época em Lp ou fita magnética, e depois as mesmas matrizes foram usadas para o lançamento de CDs. Já há algum tempo, sites de entusiastas em multicanal vêm se propondo a garimpar os títulos desses discos e depois montar uma lista, a partir da qual se pode pensar em sobre o que fazer para resgatar o sinal de fonte, para depois remasterizá-lo para uma mídia em formato de áudio multicanal mais moderno.
Essas listas são constantemente atualizadas, e os seus proponentes se dão ao trabalho de dizer de que forma elas podem ser aproveitadas nos dias de hoje. Assim, quem achava que o formato estava morto e enterrado há mais de trinta anos atrás se enganou redondamente.
Sinceramente, eu não creio que o usuário que gosta de música e de áudio faça isso por pura nostalgia. Na realidade, existe muita coisa desta época que ficou para trás sem ser devidamente explorada! E mesmo levando-se em conta o primitivismo do processo, comparado com os recursos de hoje, a observação da mixagem quadrafônica não deixa de ser fascinante. Os motivos são explicados a seguir:
O surround do quadrafônico é diferente!
O surround pós 1977 e pós 1992, usados principalmente para o cinema, baseiam-se na dispersão do som no ambiente e na localização e movimentação espacial de sons, na base de efeitos sonoplásticos, respectivamente. Mas, nas primeiras proposições de som multicanal os conceitos de surround eram muito diferentes.
O objetivo de se introduzir o som quadrafônico no lugar do estéreo convencional de dois canais é o de se obter o aumento da ambiência. Isso porque as melhores gravações estereofônicas são aquelas que dão uma sensação ao ouvinte do espaço físico onde o som foi gravado.
Na sala de concerto, o som dos instrumentos se dispersa em todas as direções e como conseqüência o ouvido humano ouve o som direto seguidos dos demais, que se refletem antes nas paredes do auditório, com um ligeiro retardo.
A diferença de percepção entre eles é o que determina a qualidade acústica do ambiente: alguns são mais vivos (com maior quantidade de sons refletidos) e outros são mais abafados, quando então a maior parte dos sons refletidos são absorvidos pelas paredes, como é o caso da maioria dos estúdios de gravação. É na recriação do primeiro desses ambientes que o som quadrafônico pode ser melhor percebido.
O som gravado com a ambiência correta permitirá ao ouvinte distinguir e apreciar em que tipo de local ele foi registrado. E embora seja perfeitamente possível recriar esta sensação de ambiência com a reprodução de apenas dois canais, o aumento para quatro canais, com a contribuição de reproduzir o som ambiente, não deixa de ser uma proposição mais atraente.
A idéia em si não é nova, mesmo na década de 1970. Entretanto, coube ao designer de áudio David Hafler propor um circuito passivo, com o uso de caixas traseiras, capaz de recriar a ambiência derivada de apenas dois canais estereofônicos. Este circuito, que leva o seu nome, circuito Hafler, pode ser construído por qualquer pessoa, com o uso de um ampificador estéreo, fios de alto-falantes e um par de caixas para a traseira da sala.
O mérito deste circuito é a sua simplicidade e relativo baixo custo. Para fazê-lo, liga-se o positivo de cada uma das caixas frontais aos positivos de suas respectivas caixas traseiras. E dentre estas, estende-se um cabo ligando-se os dois negativos. Só isso. Se o usuário quiser, poderá interpolar um potenciômetro em série, com o objetivo de nivelar o volume entre as quatro caixas:

Ligação em série dos alto-falantes traseiros, no circuito Hafler original, mostrando a inserção de um potenciômetro entre os dois polos negativos dos mesmos.
O circuito Hafler funciona de forma surpreendemente eficiente. E serve, inclusive, para a reprodução de filmes gravados em Dolby Stereo, cujo princípio de funcionamento é semelhante ao das gravações quadrafônicas: sons idênticos e totalmente em fase entre os canais esquerdo e direito são reproduzidos no espaço central das mesmas, e são monaurais. Sons idênticos, porém fora de fase, são reproduzidos no campo espacial criado pelos canais traseiros esquerdo e direito.
O circuito Hafler alcançou enorme reputação entre aficionados, em função não só da simplicidade da sua construção, mas também pela qualidade do seu funcionamento. Ao audiófilo purista, é importante que o som das caixas frontais não sofra qualquer interferência das caixas traseiras. Para este tipo de ouvinte, a simples inserção de um canal central poderá determinar a deterioração da qualidade do som frontal, causada pela possibilidade de destruição da imagem e da reprodução desbalanceada de transientes, com a perda da coerência de fasamento e da localização precisa dos instrumentos ou das vozes. O circuito Hafler, entretanto, dispensa o canal central e permite a calibração de seus componentes, de tal forma que este efeito seja minimizado.
A matriz do som quadrafônico
Embora o ideal para o quadrafônico da década de 1970 era que ele fosse derivado diretamente de quatro canais discretos, de início isso só era possível com o uso de fitas magnéticas, o que foi feito comercialmente pela RCA, com o uso de cartuchos de oito trilhas, no nome comercial de “Quad-8”.

Símbolo padrão usado para a identificação da gravação e reprodução quadrafônicas.
Para levar o quadrafônico ao Lp, bem mais popular que as fitas, a primeira proposição foi a do formato SQ (Stereo Quadraphonic), pela CBS. No Lp, a limitação mais evidente é a presença de apenas dois canais físicos, e assim desses era preciso derivar os outros dois. O formato SQ faz isso com a codificação dos canais traseiros nos da frente, porém 90º fora de fase. Sem a decodificação, o som estéreo é reproduzido sem o efeito surround, o que torna codificação compatível com os sistemas estereofônicos convencionais.
Formatos semelhantes apareceram a seguir, entre eles destacou-se o QS (Quadraphonic Stereo), proposto pela Sansui, numa tentativa de achar soluções de limitações do formato da CBS. O QS é o formato mais próximo do que se convencionou chamar na época de Regular Matrix, seguindo um modelo matemático diferente daquele proposto pelo SQ, e com uma performance alegadamente superior ao mesmo.
Outras variações de matriz foram estabelecidas por formatos como EV-4 (da Electro-Voice) e Dynaquad (da Dynaco). Em todos os casos, a adesão dos estúdios de gravação não foi a mesma, gerando grande indecisão na escolha do usuário pelo formato ideal e o seu equipamento de decodificação.
A mudança do matricial para o discreto
A mudança do quadrafônico em Lp, do formato matricial para o discreto (os quatro canais separados) só veio a partir da introdução do CD-4. Porém, esta mudança só ocorreu tarde demais, e trazendo com ela uma série de problemas. O CD-4 foi desenhado de tal forma a incluir os canais traseiros em faixas de freqüência extremamente elevadas, 45 a 50 kHz, tipicamente.
O CD-4 (Quadradisc) apresentou formidáveis desafios para a sua reprodução, já que a inclusão de alta freqüência em disco de vinil o deixa bastante vulnerável ao desgaste e à eventual destruição da informação gravada. O disco CD-4, por causa disso, não poderia ser tocado com agulhas convencionais, do tipo cônica ou elíptica. A solução foi redesenhar o “footprint” das agulhas para aprofundar o assentamento das mesmas no sulco dos discos. A agulha Shibata foi então introduzida para a reprodução de discos CD-4, mas com um custo ao consumidor bastante elevado.
| Diferença de “footprint” entre agulhas fonográficas | ||
|
Cônica | ||
O desgaste e o desaparecimento do disco quadrafônico
Embora haja hoje um consenso que muitos dos discos quadrafônicos soavam bem, até em reprodução estereofônica convencional, o fato é que, em meados do meio da década de 1970 o formato desapareceu do mercado. É possível que a cultura da época tenha impedido a sua adoção pela massa que consumia Lps, ou talvez que não fosse ainda o momento para adoção e instalação de som multicanal dentro de casa.
Mas, outras causas óbvias podem também serem apontadas: primeiro, porque não houve um consenso entre as gravadoras na escolha de um formato específico para o consumidor. Segundo, os formatos matriciais, na forma de Lps, acabaram revelando as suas limitações, como por exemplo, uma separação pobre entre a frente e os canais traseiros (cerca de 3 dB apenas), o que tornava quase nula a correta percepção da ambiência. E terceiro, pela necessidade de aprimoramento do sistema com um investimento mais alto, como foi (e ainda é) o caso das cápsulas dotadas de agulhas Shibata. E aí, quando se chega ao nível de custo do áudio esotérico, o mercado de massa desaparece como que por encanto!
A ressurreição do quadrafônico
Não é preciso ser nenhum expert em áudio, para se poder dar conta dos méritos da proposta do som quadrafônico. E como hoje em dia, qualquer pessoa que monta um home theater, com som multicanal embutido e a custo relativamente mais baixo do que anteriormente, a ressurreição do som quadrafônico e/ou a revisita a antigas matrizes é lógica e intuitiva, além de excitante para os ouvidos.
Com os recursos atuais de reprodução não há mais o que temer quanto às limitações anteriormente citadas, nem quanto ao desgaste das mídias, fitas ou Lps, experimentadas pelos seus antigos usuários.
O processo de recuperação de uma gravação quadrafônica pode ser feito até em discos de vinil bem conservados. Entretanto, para que o trabalho esteja de acordo com os padrões de dinâmica atuais, os melhores resultados têm sido obtidos a partir de CDs remasterizados a partir de matrizes quadrafônicas.
Os projetos dos usuários
Basta dar uma percorrida por fóruns diversos pela Internet, para se perceber a engenhosidade do aficionado. Ele faz o que as gravadoras deveriam estar fazendo! A descoberta da codificação original em quadrafônico é seguida em listas permanentemente atualizadas. E, a partir da edição regular em CD, procede-se a uma reconstituição minuciosa dos originais.
Esta reconstituição é possível porque os discos foram feitos a partir das matrizes em fitas analógicas já codificadas. Com isso, basta saber que tipo de codificação é esta, o que, convenhamos, não é difícil, pelo fato histórico das gravadoras terem escolhido tipos específicos de formatos e editado todos os seus discos Lps somente desta maneira.
A manutenção da codificação quadrafônica em CD só não é factível para o CD-4 ou outros formatos discretos. Com os formatos matriciais, o efeito é idêntico ao dos respectivos Lps Quad. Estes CDs podem ainda serem tocados com um decodificador apropriado, caso haja algum disponível. Para torná-los disponíveis a um maior número de usuários, a solução é a separação prévia do áudio no computador e depois remasterizar o resultado para um disco multicanal, utilizável em qualquer home theater.
Basicamente o que é feito por usuários é a reversão da codificação matricial e a separação em quatro canais distintos. O processo é conseguido com o uso de programas de processamento de áudio e filtros de rotação de fase. Existem scripts já prontos, montados por pessoas experimentadas, mas o processo pode até ser feito manualmente, quando se conhece os passos do que deve ser feito.
Depois de separar os quatro canais, resta a escolha do formato multicanal mais adequado. O formato de eleição, para um trabalho simples e objetivo, é o CD em DTS. Este tipo de disco vinha sendo fabricado desde a década de 1990, e necessita hoje apenas de um leitor de CD, DVD ou Blu-Ray com uma saída ótica ou coaxial, que é conectada a um decodificador DTS apropriado.
A preparação do DTS-CD é feita por um programa específico, e a partir daí pode-se produzir uma imagem, que pode ser queimada em um CD-R. O DTS é um formato 5.1, mas no caso apenas os quatro canais originais do quadrafônico são reproduzidos. A passagem para o DTS não provoca perda significativa, em relação ao PCM usado no CD. Por questões de obediência ao chamado “redbook”, a freqüência de amostragem é mantida em 44.1 kHz em todos os canais.
Os resultados deste tipo de trabalho, se o leitor quiser avaliá-los por si próprio, podem ser baixados dos arquivos disponibilizados pelos seus usuários, para peças de Stravinsky ou Débussy, antes que os links desapareçam! Para queimar um CD-R/RW, pode-se usar o programa IMGBurn, gratuito e altamente recomendável para este e outros fins.
O projeto da Pentatone
A Pentatone é um selo de audiófilo, criado por três executivos da extinta gravadora Philips, na Holanda. A antiga gravadora supriu, durante muitos anos, uma série de discos com o selo Philips Classics, com excelente qualidade de áudio. As suas matrizes quadrafônicas pertencem ao Decca Music Group, tendo sido licenciadas para reedição na Pentatone.
Para a Pentatone, todas as matrizes quadrafônicas desta época são submetidas a um tratamento “vip”: cada canal é transformado em DSD (Direct Stream Digital), e depois mixado sem alterações em um disco SACD híbrido. O processo é chamado de RQR (Remastered Quadro Recordings).

A vantagem do processo é óbvia: as fitas matrizes são originais de estúdio sem qualquer tipo de codificação quadrafônica, apenas a mixagem se refere ao formato. A passagem para DSD ocorre, portanto, bem antes de se obter qualquer perda ou inconsistência causadas pela codificação. E finalmente, o DSD permite uma amostragem na conversão analógico-digital que nenhum outro processo consegue, preservando da melhor maneira possível os canais originais.
A reprodução dos quatro canais do SACD pode ser feita exatamente como se o mesmo fosse um disco quadrafônico, com a eliminação implícita do processo de decodificação e todas as suas mazelas. O resultado é a descoberta, pelo ouvinte, da excelência do trabalho de captura do áudio feito na década de 1970. Embora o SACD estenda a capacidade de audição para 5.1 canais, somente os canais quadrafônicos são transcritos.
A audição do som quadrafônico
Para quem nunca ouviu quadrafônico, é possível ficar sem saber como ele soa e se o setup de áudio na reprodução está correto. É bom que se diga que a primeira coisa que se percebe na reprodução quadrafônica é o aumento do espaço de audição!

Amplificador quadrafônico Sansui modelo QS-1 (foto cedida por cortesia do Dr. Carlos Fernando Blanco).
Tomando-se, inicialmente, como base a formação da orquestra sinfônica, com violinos à esquerda, percussão ao centro, e metais e violoncelos à direita, a reprodução quadrafônica correta não pode destruir a imagem dos diversos instrumentos dispostos ao longo das caixas acústicas frontais. Em outras palavras, o ouvinte tem que ser capaz de localizar esses instrumentos no espaço, tal qual uma gravação estéreo convencional.
A diferença, neste particular, entre dois e quatro canais, é a percepção neste último de um alargamento do palco frontal. Uma vez que sons mais à esquerda “vazam” para o canal surround esquerdo, o mesmo acontecendo do lado direito, porém com a reprodução atrás com amplitude menor do que a da frente, haverá uma tendência de se perceber uma interposição de sons nas laterais da sala. A propósito: proposição de reprodução idêntica foi adotada para a decodificação de programas estéreo convencionais, pela Dolby, no processamento do Dolby ProLogic II/IIx, já comentados anteriormente nesta coluna.
Em gravações com mixagem de música popular, particularmente as de rock progressivo, será possível ouvir instrumentos localizados nos canais traseiros, ora de um lado, ora de outro. Um exemplo deste tipo de mixagem está contido na versão quadrafônica de Tubular Bells, de Mike Oldfield, original de 1973, lançada em SACD híbrido, alguns anos atrás.
De entusiastas para entusiastas
Eu confesso que, desde que eu me entendo por gente, eu nunca notei grande interesse por áudio, pela maior parte das pessoas com quem convivi, e às vezes até mesmo por música. Muito embora a cultura das famílias antigas tenha sido a de oferecer a seus filhos algum tipo de educação musical, como aulas de piano, por exemplo, ela não se traduziu necessariamente no interesse específico da audição dentro de casa. Em outras palavras, me parece até hoje que o interesse por áudio começa pelo interesse por música, mas a recíproca não é verdadeira!
Em anos recentes, foi fácil perceber que o que mais atrapalhou o mercado de massa em se envolver com áudio é a enorme parafernália de equipamentos e formatos, gerando confusão e principalmente desvantagem financeira. Muitas pessoas que eu conheço tiveram enorme dificuldade de passar do Lp para o CD, e já nesta época (circa década de 1980) a indústria fonográfica fora dos grandes centros custou a decolar num formato caro de um disco novo, que muita gente desta área achava desnecessário ou dirigido para uma elite de consumidores.
E nem mesmo depois do virtual abandono do Lp as coisas melhoraram. Na década de 1990, com a introdução do DVD, do DAD (DVD com música em 96 kHz/24 bits), e depois na virada do século, com o SACD e o DVD-Audio, o consumidor continuou confuso, e sem entender o porquê de tantos formatos, para uma coisa só, que é “apenas” ouvir música. E se, no caso, o ouvido do usuário não for muito seletivo, é compreensível que qualquer formato portátil resolva. Daí se pode entender o espalhamento de áudio em AAC ou MP3, para citar alguns, durante os anos que se seguiram.
Em vista disso, tudo era de se esperar que o áudio e a audiofilia como um todo fossem esquecidos e enterrados, mas não é de forma alguma a realidade que se vê. Certamente, que o nicho de antes continua existindo, mas eu creio que, via Internet, as comunidades de entusiastas antes isoladas passaram a ter câmara de ressonância para discutir seus hobbies e tomar iniciativas para o seu cultivo e manutenção.
Talvez essa tenha sido uma forma de sobrevivência à ameaça de extinção da indústria fonográfica. Ao longo das últimas décadas, as grandes gravadoras e as grandes cadeias de lojas de discos desapareceram, tornando este tipo de comércio ainda mais virtual.
A premência de readaptação compeliu e ainda compele os entusiastas em tornar disponíveis novamente gravações que, por direito autoral, não lhes pertencem, mas que deixaram de ver a luz do dia e foram engavetadas em algum depósito, pelos seus legítimos proprietários.
A iniciativa do usuário é, por isso mesmo, ironicamente libertária, reprocessando material gravado cujas gravadoras se desinteressaram em disponibilizar novamente, por motivos de falta de mercado.
É possível que, num futuro mais à frente, esta realidade mude completamente outra vez. Pessoalmente, eu não vejo sentido em não se colocar à venda discos que podem ser facilmente reproduzidos com os equipamentos que qualquer um tem em casa. Mas, talvez o futuro seja mesmo o dos estúdios independentes, cujo menor custo de produção, poderá, quem sabe, reverter o desinteresse do mercado.
Se isso não acontecer, resta ainda a chance de manter vivo o interesse do consumidor que gosta de música e de áudio, e não se importa de gastar um pouco mais por ela.
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