Enquanto os fabricantes de computadores correm atrás do sucesso do iPad, é curioso como o setor deixou de falar nos netbooks. Entre outubro de dezembro do ano passado, os fabricantes embarcaram 10,5 milhões de mini notebooks, segundo a Gartner, no que parece ter sido o pico do mercado. No primeiro trimestre deste ano, o volume caiu para 9,7 milhões, ficando ainda menor no trimestre seguinte: 8,4 milhões.
Mesmo antes do lançamento oficial do iPad, da Apple, em janeiro, fabricantes de computadores já davam sinais de que o mercado estava se movendo em direção dos tablets – empresas como a HP, Dell e Archos chegaram a mostrar alguns modelos durante a CES 2010 – a feira voltada para o consumo de eletrônicos. Os detalhes foram poucos, mas parecia claro que as atenções estavam se distanciando dos netbooks.
Como já disse o presidente da Oracle, Larry Ellison, a indústria de tecnologia tem uma queda por novidades muito semelhante ao que acontece na indústria da moda. Não faz muito tempo os netbooks era tratados como o futuro da computação móvel, sendo maiores que um smartphone e muito mais baratos que um laptop.
A moda dos netbooks começou em 2007, quando a Asus apresentou seu Eee PC, mas mesmo antes da queda dos embarques registrada no início do ano a onda já estava encolhendo. Um ano depois de serem as estrelas da CES 2009, os netbooks mal foram mencionados na feira de tecnologia que Las Vegas hospeda anualmente.
A tendência já aparece nas pesquisas. No relatório sobre o mercado consumidor de PCs em 2015, da Forrester Research, a projeção é de que em quatro anos a liderança será dos notebooks, com 42% de market share, seguidos pelos tablets, com 23%, e pelos desktops, com 18%. Os netbooks aparecem com 17%.
Não significa que os netbooks vão desaparecer da noite para o dia. Eles continuam interessantes para quem busca um notebook mais barato, menor e que já vem com programas como o Microsoft Word – o que não acontece com o iPad – ou outro equivalente.
Empresas como Acer, Asus, Lenovo e LG recentemente anunciaram novos netbooks dual-core. Mas também existe uma tendência em relação aos netbooks “premium”, com telas maiores e maior capacidade – o que os deixa na fronteira do território dos notebooks tradicionais.
Parece, no entanto, que quem procura um dispositivo móvel entre um smartphone e um laptop está sendo conquistado pelos tablets – equipamentos que podem ficar com a fatia inferior do mercado dos notebooks. O iPad, por exemplo, lançado há pouco, já recebe o crédito por balançar ou adiar as compras de laptops.
Se já é um desempenho notável para um único produto de um único fabricante, o efeito pode ser ainda mais significativo com a chegada de equipamentos similares. O Streak, da Dell, o Galaxy Tab, da Samsung e seja lá o que HP e RIM vão apresentar nos próximos meses deverão tornar mais difícil a recuperação do apelo que os netbooks tiveram no início.
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