terça-feira, 14 de setembro de 2010

72% dos americanos querem proibir menores de comprar jogos violentos

Pesquisa realizada pela Common Sense Media entrevistou mais de 2 mil adultos no último mês de agosto nos EUA

Uma pesquisa da organização americana Common Sense Media poderia afetar o desafio legal contra a decisão do estado da Califórnia de banir jogos de videogame considerados violentos, ao menos no campo da opinião pública.

Segundo a Common Sense Media, uma organização sem fins lucrativos que lida com assuntos ligados a família e crianças em mídia e tecnologia, 72% dos adultos nos Estados Unidos apoiariam uma lei que proíba menores de idade de comprar jogos “ultraviolentos ou sexualmente violentos” sem o consentimento dos pais. A pesquisa, conduzida pela Zogby International Media, entrevistou 2.100 adultos entre 13 e 16 de agosto de 2010.

O vice-presidente da Commom Sense, Alan Simpson, confirma que a organização programou a pesquisa para coincidisse com os vindouros argumentos orais sobre o banimento da Califórnia na venda de jogos violentos para menores na Suprema Corte dos EUA. Simpson afirma que a pesquisa sustenta as preocupações do grupo sobre mídia violenta.

Como Halpin aponta, um aspecto interessante desse debate é a evidência de outra recente pesquisa com adultos americanos sobre games que contraria o levantamento da Common Sense. O estudo da empresa KRC Research, que entrevistou 1.003 adultos entre fevereiro e março deste ano, 78% dos entrevistados disseram acreditar que os videogames deveriam receber proteção da Primeira Emenda, que inclui a liberdade de expressão como um dos direitos fundamentais.

No entanto, Simpson, da Common Sense, pensa que a pesquisa da KRC pode não contar toda a história.

“Obviamente, toda pesquisa é diferente, e toda pesquisa terá perguntas diferentes”, diz. “Essa pesquisa provavelmente focou em todos os videogames, e nós estamos falando de videogames violentos. Quando você olha para o que as pessoas percebem é um mundo violento dos games – nós estamos falando de títulos que a própria indústria de jogos classifica como apenas para adultos ou pessoas a partir de determinada idade. Penso que muitos pais estão olhando para o mercado de videogames e não estão interessados em ver seus filhos tornarem-se um guerreiro da milícia do Talibã e lutar contra as forças armadas dos EUA.” Esse jogo é o novo “Medal of Honor”, que está recebendo críticas por permitir que os jogadores assumam o papel do Talibã em seu modo multiplayer.

E você, concorda que os pais deveriam decidir se os filhos podem ou não jogar games considerados violentos? Nos diga nos comentários abaixo.

“Pensamos que elas confirmam muitas coisas com as quais temos nos preocupado. A maioria dos adultos está preocupada com o impacto de games violentos nas crianças”, disse Simpson em uma entrevista por telefone. “Eles querem que os pais fiquem no controle desse entretenimento.”

Já o presidente da Associação dos Consumidores de Entretenimento do país, Hal Halpin, questionou os resultados da pesquisa.

“A metodologia é sempre essencial com qualquer pesquisa ou levantamento, pois ela se resume a intenção da organização que a está realizando”, diz Halpin. “Se os motivos deles forem puros e o método científico, você pode enxergar esses dados como algo de interesse. Dada a história da Common Sense, eu esperaria totalmente ver resultados que se distorcessem para suportar a posição deles. Uma questão mais interessante seria: se a pesquisa é válida, a CSM iria reverter seu posicionamento se os resultados tivessem apontado para o outro lado?”

Nenhum comentário:

Postar um comentário