terça-feira, 14 de setembro de 2010

EUA liberam nova faixa para aplicações sem fio

Empresas de tecnologia planejam utilizar as bandas de guarda entre as frequências destinados aos canais de televisão e esperam apenas a conclusão do novo regulamento de espectro, que deve ser concluído na próxima semana pela Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês).

Microsoft, Google, Hewlett-Packard, Intel e Motorola já vêm testando produtos que usam essas bandas não licenciadas. Esse espectro, entre 300 MHz e 400 MHz “livres” são cobiçados por se tratar de uma frequência em que os sinais percorrem grandes distâncias e são capazes de atravessar paredes.

Em novembro de 2008, a FCC concordou, por unanimidade, em abrir esse espectro. Mas ainda são necessários aspectos técnicos que permitam os fabricantes de equipamentos e provedores de serviço colocaram essas frequências não licenciadas em uso.

Espera-se que na próxima semana, a FCC coloque em votação as novas regras que vão pavimentar o caminho para que as empresas comecem a desenvolver novos produtos nessas frequências. Em entrevistas ao Wall Street Journal e à Bloomberg, o vice presidente de tecnologia e regulação da Microsoft, Dan Reed, disse que os equipamentos que usam as bandas de guarda poderão chegar ao mercado em dois ou três anos.

A Microsoft vem testando o uso dessas frequências não licenciadas em seu campus no estado de Washington. A empresa construiu uma rede wireless utilizando somente duas estações base para transmitir sinais nas bandas de guarda. E os sinais transmitidos nessas bandas percorrer o triplo da distância de outras frequências não licenciadas, como as de Wi-Fi. Isso significa que a área de cobertura é até nove vezes superior e como se trata de uma frequência bem mais baixa que a do Wi-Fi, pode muito mais facilmente penetrar prédios.

A Microsoft mostrou a rede ao presidente da FCC, Julius Genachowski, em abril. Genachowski insiste que o uso dessas bandas de guarda vão incentivar inovações no mercado de banda larga móvel. “O objetivo é incentivar o desenvolvimento de uma nova, grande indústria”, disse ele em recente entrevista à Bloomberg.

Genachowski, entre outros, compara esse mercado com o de Wi-Fi, que também não precisa de licença de uso de espectro. O Wi-Fi se tornou uma indústria que movimenta US$ 4 bilhões (quase R$ 7 bilhões) por ano. E o presidente da FCC acredita que essas novas bandas não licenciadas poderão significar um mercado ainda maior.

Segundo uma pesquisa patrocinada pela Microsoft no ano passado, as aplicações dessas novas bandas poderiam gerar movimentações anuais entre US$ 3,9 bilhões (R$ 6,6 bilhões) a US$ 7,3 bilhões (R$ 12,4 bilhões) a cada ano.

Além desse novo mercado, a FCC também enxerga nas tecnologias que usam as bandas de guarda um dos caminhos para atingir as metas no Plano Nacional de Banda Larga dos Estados Unidos. Segundo o plano, a FCC vai liberar cerca de 500 MHz de frequência para aplicações sem fio em 10 anos, tanto licenciados como não licenciados.

O plano recomenda, ainda, que 300 MHz desse espectro seja liberado em até cinco anos – e as bandas de guarda fazem parte dessa conta. No início do ano, comunidades em dois estados americanos estiveram entre as primeiras a testar aplicações sem fio por meio das bandas de guarda.

O desenvolvimento de produtos e serviços que usam esse espectro acabou adiado pelas preocupações, especialmente de radiodifusores, de que o uso das bandas de guarda vai interferir em seus próprios serviços. Já Microsoft, Google, Intel, Dell e Motorola – que também pressionam a FCC – procuram demonstrar que estão trabalhando em produtos para mitigar as interferências.

As regras que a FCC deve adotar na próxima semana vão ajudar a garantir que o uso das bandas de guarda não interfira nas aplicações que usam esses espectro, tanto de forma licenciada como não licenciada.

Como a quantidade de espectro a ser liberado varia conforme as localidades, ele não deve ser utilizado na criação de uma rede nacional de banda larga sem fio. Mas ele ser usado por provedores sem fio na criação de novos serviços regionais, ou por concessionárias de operações wireless pra ampliar suas redes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário